''Palmada pedagógica'' vira polêmica após lei pela proibição
Enviada para o Congresso Nacional pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a lei que proíbe pais, professores e cuidadores a beliscar, empurrar ou mesmo dar ''palmadas pedagógicas'' em menores de idade está causando muita polêmica. Segundo especialistas, a lei serve para firmar o que já vinha sendo discutido desde na Constituição de 1988.
O presidente da Fundação Criança de São Bernardo, conselheiro do Condepe (Conselho Estadual de Direitos Humanos) e do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente), Ariel de Castro Alves, é favorável a nova lei. ''Essa lei veio para romper a cultura de violência no Brasil e principalmente não formar uma criança violenta. A educação só visa paz e não deve ser feita com violência e o famoso ''tapinha'' é o primeiro passo da tortura que a criança pode receber depois'', afirma Alves.
A lei ainda precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional. O texto prevê, como forma de punição, desde a advertência até acompanhamento psicológico, além de participação em programas de orientação à família aos acusados de maus tratos. Para a vice-presidente da Associação Brasileira de Educação Infantil, Fernanda Cavalcanti, essa lei é polêmica e precisa de mais informações para ser cumprida. ''O castigo físico não é necessário, é preciso diálogo. A palmada é uma descarga do adulto na criança. Para que isso não aconteça, o castigo deve ser, por exemplo, tirar as atividades e objetos que as crianças gostam ao invés da palmada''.
Mas para repreender os pequenos, Fernanda ensina que não se deve deixar passar muito tempo entre a travessura e a conversa. ''Tem que falar na hora, ser firme, olhar nos olhos e fazer com que a criança só se concentre na conversa. Se deixar para conversar depois, a criança não vai associar''.
Segundo a educadora, com crianças de até três anos é preciso ser objetivo e sempre explicar o porquê da bronca. ''De quatro a sete anos, os pais devem explicar as consequências da atitude no futuro. E sempre dizer o que aquela repreensão é para o bem da criança'', ressalta.
A educação é uma tarefa árdua que deve ser feita com paciência, segundo a vice-presidente. Mas quem deve se comportar para não ter um ataque de descarga física são os pais. ''O comportamento dos pais é fundamental. Eles podem mudar a atitude de um dia para o outro, repreender em um dia e no outro mostrar que tudo bem'', diz. A mudança de relacionamento entre pais e filhos é um dos fatores que geram o conflito. ''Hoje não existe uma conversa a mesa. Acaba ocorrendo o distanciamento nas relações com a correria dos pais''. (Colaborou Heloísa Resende)
Pais são contra proposta
Depois de uma travessura, as crianças não serão lesionadas. Para os que mais tem contato com os pequenos, os pais, a nova lei não tem sentido. ''Essa lei é demagogia, não vai evitar e nem revelar os reais agressores das crianças. Ao invés de se preocuparem com quem tenta educar, deveriam colocar mais agentes do Conselho Tutelar nas ruas'', diz Sueli Loddi, professora de 39 anos. Para o enfermeiro Eduardo Monecosso,47 anos, o veto da palmada dificulta a educação da criança, mesmo o diálogo sendo a primeira alternativa antes do castigo.