O prefeito em exercício de Mauá, Paulo Eugenio Pereira Junior (PT), completou 43 anos na quinta-feira e considerou positiva a experiência de estar à frente do Paço por 15 dias, durante as férias de Oswaldo Dias, que retorna amanhã. Em entrevista ao Diário antes de devolver o comando do Paço, disse acreditar em renovação da política na cidade. Citou como expoentes Vanessa Damo (PMDB), Donisete Braga (PT), Diniz Lopes (PR) e Atila Jacomussi (PV). Para ele, um ciclo se fechará em 2012.
Contudo, não descartou o próprio nome e afirmou estar preparado para ser prefeito da cidade e sucessor do atual chefe do Executivo. O petista disse ainda que fazer bom governo é fazer boa campanha. Ele defende que políticos continuem em seus postos durante campanha eleitoral, desde que não concorram a cargos eletivos.
Paulo Eugenio declarou que a Saúde não é mais o principal problema de Mauá, mas sim o transporte coletivo.
Diário - Como se sentiu em ser prefeito por 15 dias?
Paulo Eugênio - Ganhei presente de aniversário. Fui secretário de Desenvolvimento, é estratégico, mas uma parte. Secretário de Saúde é desafio, mas uma parte. Como prefeito tive a oportunidade de ver quanto é difícil governar a cidade. Não que seja complexo, mas requer paciência. Tem que compreender o tempo de cada projeto, cada área tem uma dificuldade específica. Com a limitação de recursos é preciso definir prioridades. Oswaldo defende a tese de que fazer bom governo é fazer campanha porque ações do governo têm impacto. Nós que somos comissionados e do PT temos que puxar essa carroça.
Diário - Não acha que em época de eleição, prefeitos ou agentes públicos deveriam deixar cargos quando coordenam campanhas?
Paulo Eugênio - Não, se ele estiver correto. É o caso do presidente Lula por exemplo. Ele tem que concluir mandato, tem coisas planejadas, que estão acontecendo e aí vem a crítica de que isso é fazer campanha. Bom governo é boa campanha. Isso incomoda.
Diário - Marinho e Oswaldo vão participar diretamente da coordenação da campanha da Dilma no Grande ABC. Eles deveriam se licenciar?
Pauo Eugênio - Não, porque é diferente. Eles não teriam de se afastar porque não são candidatos. Nessa tese de que fazer bom governo é fazer campanha as cidades precisam dos prefeitos.
Diário - Mas por conta da reeleição as coisas não se misturam?
Paulo Eugênio - A reeleição tem que ser melhor definida. O Oswaldo quando foi para a reeleição se afastou em 2000. Porque se fosse pedir voto durante o dia poderia ser cassado.
Diário - Disse que governar requer paciência. Acredita que o eleitor entende isso?
Paulo Eugênio - Nosso desejo é que na medida do possível as coisas aconteçam o mais rápido possível. Somos exigentes com nós mesmos. Fazer mais e melhor. Mas quem viu como é que estava a cidade em 2008 e vê agora em 2010 fica impressionado.
Diário - Quase dois anos depois não é muito tempo para culpar o governo anterior?
Paulo Eugênio - O eleitor não tem dimensão do todo. Quando assumimos o governo eles não falaram dos R$ 200 milhões de dívida. Como não tínhamos essas informações e dimensão da dívida. Nossa tarefa foi informar a situação que encontramos. Hoje avançamos.
Diário - O senhor se considera preparado para ser prefeito de Mauá?
Paulo Eugênio - É um acúmulo, um processo. Considero que tenho condições hoje, mas acho que vou estar melhor lá na frente, na sucessão do Oswaldo.
Diário - Atualmente, o senhor seria o principal nome para sucessão?
Paulo Eugênio - É um nome lembrado para ser. No PT não tem nome natural, com exceção de Lula que sempre foi a presidente. Mas é nome que está cotado. Nasci em Mauá, moro e frequento a cidade. Estou sempre com a militância. Isso ajuda muito, estar próximo, temos 12 mil filiados.
Diário - O PT de Mauá tem adversários? Quem são?
Paulo Eugênio - Sempre há adversários. Costumo dizer que um terço da população de Mauá apóia o PT, um terço não apóia e um terço é o pêndulo que avalia quem está fazendo o melhor governo.
Diário - Quem concorre ao próximo pleito?
Paulo Eugênio - Acho que o Leonel Damo concorre, ainda não será a Vanessa.
Diário - Não acha que falta sangue novo na política de Mauá?
Paulo Eugênio - Acho que tem novas lideranças políticas surgindo na cidade que podem se candidatar no futuro. A própria Vanessa (Damo - PMDB), Donisete Braga (PT), Diniz Lopes (PR), o Atila (Jacomussi - PV). Em 2012, será fechado um ciclo. É natural.
Diário - O Oswaldo está preparado para governar sem o presidente Lula?
Paulo Eugênio - Claro. Dos nossos oito anos da primeira gestão (1997-2004), seis o Lula não era presidente. Fizemos bom mandato. Tanto que o Oswaldo é muito querido da população. Espero que a Dilma seja eleita para o Brasil caminhar, mas Oswaldo está preparado.
Diário - O senhor dizia que a Saúde de Mauá estava na UTI. Onde está agora?
Paulo Eugênio - Foi para o quarto. Encontramos situação dramática. Inauguramos alguns equipamentos. Principal desafio da Saúde é o hospital Nardini que, com o gerenciamento da Fundação ABC, inauguramos nova etapa. Viramos a página. Temos informação de que hoje a Saúde não é mais o principal problema de Mauá.
Diário - E qual é o problema?
Paulo Eugênio - O transporte coletivo. Reclamações que chegam a Ouvidoria e que a gente escuta da população. Mas temos projetos
Assunto: Cidade
Fonte: Diário do Grande ABC Publicada dia: 25/07/2010 Por: Havolene Valinhos